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Professor > Charlotte Bispo
Aquela que se conhece hoje por “Dança do Ventre” tem por nome verdadeiro “Raks Al Sharki”. A “Raks al Sharki”, que significa Dança do Leste ou Dança Oriental (local onde nasce o sol) e é mais conhecida por “Dança do Ventre”, é a descoberta e o reencontro com a energia da vida e da expressão natural do corpo, dando ênfase à energia feminina, à sensibilidade e sensualidade dos seus praticantes.

Possui qualidades terapêuticas e artísticas pelos seus efeitos ao nível físico e psicológico e pela liberdade criativa conferida a quem a pratica. Todos os seus movimentos são orgânicos e baseados na locomoção, na expressão natural do corpo, na movimentação consciente e inconsciente das suas várias partes , isoladamente ou de modo combinado.

A amplitude dos movimentos desta dança vai desde a ondulação suave e lenta à vibração rápida e complexa de todos os músculos do corpo ou partes do mesmo, desenvolvendo no praticante a noção de controlo total sobre o seu corpo, de modo harmonioso e descontraído.

A riqueza da música árabe, cuja estrutura rítmica é muito diferente da estrutura da música ocidental, permite que a dança assuma uma infinidade de dinâmicas possíveis, ao som de ritmos e de instrumentos variados que exprimem uma paleta imensa de sentimentos e um sem número de subtilezas ao nível da expressão corporal que enriquecem todo o trabalho criativo de quem dança.

A data da sua origem não está perfeitamente definida e as pistas que existem indicam que ela terá nascido 6000 a 8000 anos antes de Cristo.O local onde teve origem também difere pois as fontes de estudo não são abundantes e, muitas vezes, são contraditórias e chocam entre si. Muitos estudos apontam o Egipto como o berço da “Dança do Oriente” mas verificamos uma infinidade de influências de outras culturas e movimentos específicos que encontramos na Dança Indiana, Persa, Turca, etc...

Daí que também exista a hipótese de ela ter nascido na Índia e ter sido posteriormente trazida para o Egipto por tribos ciganas ( “Gawazi”) que, sendo nómadas, puderam colher e assimilar elementos da cultura de muitos países por onde passavam.

Essas tribos eram sustentadas pelas suas Mulheres que cultivavam a Dança e a Música como ponte de união entre os membros do clã e uma arma poderosa de encanto e comunicação com as populações não ciganas. Depois de séculos percorrendo rotas variadas do Médio Oriente, Mediterrâneo e partes da Europa, esses Ciganos ter-se-iam fixado no Egipto onde a Dança se desenvolveu do ponto de vista artístico e terapêutico.

A primeira aparição (de que se tem notícia) de Bailarinas do Médio Oriente num país ocidental remonta ao ano de 1881 na primeira Exposição Mundial organizada pelos Estados Unidos da América. Nessa mesma exposição viram-se pela primeira vez Bailarinas Egípcias que chocaram com o seu ventre exposto quando mostrar um tornozelo já era na altura uma provocação! Estas bailarinas abriram caminho a gerações que vieram depois e que semearam a dança oriental no Ocidente.

O mundo oriental deixa então de ser secreto para os ocidentais e são descobertas as “almés” e as “Ghawazi”. As “almés eram Cantoras e Dançarinas associadas ao Harém e as “Ghawazi” (termo proveniente do Tzigane) as Dançarinas de rua.

O nome “Dança do Ventre” foi dado pelos franceses a partir de maio de 1798, com a invasão de Napoleão Bonaparte ao Egipto, quando recebeu a alcunha Danse du Ventre pelos orientalistas que acompanhavam Napoleão.

As origens da Dança Oriental provêm do Sagrado - as Dançarinas comunicavam com as Deusas, exprimindo-se em danças ritualistas ligadas à natureza, à reprodução, à fecundação, à mulher, à “Deusa-mãe”, sendo através de movimentos da bacia e do ventre que elas louvavam ao redor da fogueira ( símbolo de luz e alimento…). As dançarinas poderiam também estar presentes em alturas de parto, de modo a que a mulher que dava à luz se abstraísse das dores (anestesiando-a) e, por imitação, reproduzisse movimentos que facilitariam o parto.

A dança Oriental representa a vida quotidiana das mulheres árabo-muçulmanas e tem vindo a ser transmitida através dos séculos, representando todo o tipo de emoções, sentimentos e expressão Feminina.

Aspectos Gerais abordados nas aulas:

* Posição e movimentos básicos da Dança Oriental (englobando Ondulações, Batimentos de quadril e Shimmie)
* Relação respiração/movimento
*  Expressão corporal e Postura
* Trabalho de coordenação
* Técnica de isolamento/separação das várias partes do corpo
* Relação da transição entre tensão e relaxamento das partes isoladas do corpo
*  Variações e combinações de movimentos
* Deslocamento no espaço
* Criatividade e improvisação

São aboradados nas aulas vários tipos de dança integradas na Dança Oriental, sendo estas as danças de solo, dança do véu e danças representativas com carácter mais tradicional, mais clássico, mais cigano ou até mesmo Tribal.

O aquecimento e relaxamento é direccionado ao desenvolvimento harmonioso do corpo, de modo a ajudar na reprodução da técnica e de evitar possíveis lesões, tendo como base muitos movimentos de yoga e movimentos que ajudem a desenvolver a flexibilidade e força abdominal e pernas.

É desenvolvido também o carácter expressivo de cada pessoa tendo em conta a sua sensibilidade e sensualidade e o seu carácter social, interagindo com os (as) companheiro(a)s…


Mais informação:

www.dancas-do-mundo.com
www.bellydance.pt
www.orientaltent.com
www.ketisharif.com
www.legendcostumes.com